enquanto perdiam muita da esperança.
Sentiam saudades da mãe e da terra
enquanto por África faziam a guerra.
Eram jovens soldados filhos de gente
que da ausência do filho se ressente.
ERAM SOLDADOS DE ARMAS NA MÃO
QUE COMBATIAM O AFRICANO IRMÃO
E FINGIAM TER A RAZÃO NO CORAÇÃO.
Uns não sabiam o estado da nação
outros cumpriam penas numa prisão
por denunciarem Portugal amordaçado.
Alguns no exílio escondiam sua dor
vítimas da perseguição do ditador
enquanto outros não viam o lado errado
ignorando o sacrifício do amigo irmão
jovem soldado regressado num caixão.
Até que um dia. Mas que dia!...
porque um dia tinha de se fazer novo dia
e porque resistia gente descontente...
um capitão, um alferes, um tenente
e soldados de um povo desiludido
se fizeram todos à caminhada
PELAS TANTAS DA MADRUGADA...
PARA À HORA DA SENHA COMBINADA
ASSUMIREM A DEFESA DO POVO OPRIMIDO.
Traziam armas e munições floridas
e chaimites de sorrisos abastecidas
com a liberdade comprometidas.
Eram gente, portugueses, eram gente!
Eram gente de um povo que tanto sente
ser urgente rejeitar o governo prepotente.
Eram soldados de um povo entristecido
que numa praça se encontrou renascido
como irmãos de desígnio assumido.
Eram gente, portugueses, eram gente!
Eram gente por Liberdade, tão carente:
o soldado com espingarda que sorria,
o capitão de Abril que exigia Democracia,
a multidão que com cravos se libertava
e que dando as mãos se agigantava
assumindo o legado da Revolução
do Portugal libertado da opressão.
Não traziam bandeira, nem se precisava
tão grandiosa sua missão se adivinhava.
Eram gente, portugueses, eram gente!
Soldados de um povo que tanto sente
que ao som de canções se libertava
e saudações a Portugal anunciava:
SOMOS FILHOS DE UM POVO UNIDO,
QUE UNIDO… JAMAIS SERÁ VENCIDO!
25 DE ABRIL... SEMPRE!!!
Fernando Costa
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