sexta-feira, 25 de abril de 2025

Abril cravos mil













Para que não permaneça madrasta a memória
e do esquecimento se construa ingrata história 
recordemos os que foram vítimas da opressão 
em noites negras nas masmorras da crueldade
fazendo nossa... a luta em nome de justa razão 
agitando imponentes bandeiras de Liberdade.

E que os filhos dos filhos da geração da ditadura
saibam que portugueses sucumbiram à tortura
pelas mãos de carrascos de vil ordem totalitária 
enquanto outros... na dor de corpos destroçados
em intermináveis dias no terror de cela solitária
resistiam estoicamente à agressão de alucinados.

E para que o esquecimento não altere a verdade
e não se calem as consciências contra a vontade
mesmo se os cravos passarem a ser menos de mil
ouçam bater os corações carentes de Fraternidade
para serem muitos mais de mil os cravos de Abril
contra o populismo mascarado por oculto ardil.

Fernando Costa

As cores da Liberdade?













O vermelho da Revolução.
O azul... de tanto céu e mar
porque é importante ousar. 

O branco da paz e da pureza
mesmo em tempo de incerteza.

As cores da madrugada em canção
porque Abril é ocasião de acreditar
que há senha para um povo se libertar.

O amarelo da luz e da alegria 
com todas as cores da Democracia.

As cores da rebeldia e da superação
mais o verde dos ideais a semear
no coração do jovem com visão a partilhar.

Mais todas as cores do arco-íris
com a cor da Liberdade de meu país.

Fernando Costa

Soldados de Abril

Traziam adiados sonhos de criança
enquanto perdiam muita da esperança.
Sentiam saudades da mãe e da terra
enquanto por África faziam a guerra.
Eram jovens soldados filhos de gente
que da ausência do filho se ressente.
ERAM SOLDADOS DE ARMAS NA MÃO
QUE COMBATIAM O AFRICANO IRMÃO
E FINGIAM TER A RAZÃO NO CORAÇÃO.

Uns não sabiam o estado da nação
outros cumpriam penas numa prisão
por denunciarem Portugal amordaçado.
Alguns no exílio escondiam sua dor
vítimas da perseguição do ditador
enquanto outros não viam o lado errado
ignorando o sacrifício do amigo irmão
jovem soldado regressado num caixão.

Até que um dia. Mas que dia!...
porque um dia tinha de se fazer novo dia
e porque resistia gente descontente...
um capitão, um alferes, um tenente
e soldados de um povo desiludido
se fizeram todos à caminhada
PELAS TANTAS DA MADRUGADA...
PARA À HORA DA SENHA COMBINADA
ASSUMIREM A DEFESA DO POVO OPRIMIDO.

Traziam armas e munições floridas
e chaimites de sorrisos abastecidas
com a liberdade comprometidas.
Eram gente, portugueses, eram gente!
Eram gente de um povo que tanto sente
ser urgente rejeitar o governo prepotente.
Eram soldados de um povo entristecido
que numa praça se encontrou renascido
como irmãos de desígnio assumido.

Eram gente, portugueses, eram gente!
Eram gente por Liberdade, tão carente:
o soldado com espingarda que sorria,
o capitão de Abril que exigia Democracia,
a multidão que com cravos se libertava
e que dando as mãos se agigantava
assumindo o legado da Revolução
do Portugal libertado da opressão.

Não traziam bandeira, nem se precisava
tão grandiosa sua missão se adivinhava.
Eram gente, portugueses, eram gente!
Soldados de um povo que tanto sente
que ao som de canções se libertava
e saudações a Portugal anunciava:
SOMOS FILHOS DE UM POVO UNIDO,
QUE UNIDO… JAMAIS SERÁ VENCIDO!
25 DE ABRIL... SEMPRE!!!

Fernando Costa

Substância(s) de Abril

A identidade é importante
seja qual for a circunstância
sendo que o mais determinante
na identidade... é a substância.

Seja qual for a flor
a identidade vem da fragrância
e de como essa flor exibe sua cor
mas é através da substância
do frugal néctar da perenidade
que a abelha vive em liberdade.

É o que se me oferece
dizer sobre o 25 de Abril:
a identidade permanece
e a circunstância acontece
na memória de cravos mil.
Falta saber se a substância
amanhece ou desvanece...
e se está em consonância
com o alento de que carece
um povo que só em liberdade
se fortalece em sua identidade.

A substância do 25 de Abril?
Estará onde cada um quiser
com a liberdade primaveril
e toda a identidade que tiver.
Até pode resistir no coração
de um herói soldado capitão
em nação povo vontades mil.

A substância foi madrugada
marcha chaimite canção poema.
A identidade foi senha divulgada
ao som de Grândola Vila Morena.

Fernando Costa

Somos filhos da Liberdade

 Ela sobrevoa o meu pensamento
com preocupação e desalento.
- É uma gaivota a voar?
Não. Ela agora me questiona
sempre que exista momento 
em que pensar nela nada soluciona.
- Então... talvez seja outra ave!
Não. É algo importante a preservar
depois de tanto custar a conquistar.
- E porque não... uma nave?
Não. Viajar até é minha vontade,
mas não é agora minha prioridade.
- Será verdade preocupante?
A verdade é sempre importante 
menos a imposta como verdadeira...
mas a que sobrevoa o pensamento 
é este pressentimento angustiante
que de tanto se erguer sua bandeira
ela se transforme em instrumento.
- Não tem asas, mas é de voar!
Amiga e confidente companheira:
se com o voar pretendes afirmar
que tudo o que somos tem identidade
então... custe o que nos custar
continuemos filhos da Liberdade
dizendo não a todos os ditadores
e aos seus seguidores em ideologia
assumindo a condição sem favores
de que a Liberdade nunca se adia.
- A Liberdade de cada um de nós
para não calarem a nossa voz?
É o que me queres revelar
para nunca desistir de sonhar?

Não só a Liberdade individual...
mas a que em Paz e harmonia 
impeça atentados de agentes do mal
ao direito das nações à sua soberania.
E se há Liberdade individual urgente 
a dos povos deve ser permanente.

Fernando Costa

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Ser Imensa

Quem me dera ser imensa
Para todos ajudar
Não consigo dizer "não"
Nem as costas voltar

Vem um pede-me para o santo
Outro vem pede-me esmola
Até pedem para o futebol
A criança vende rifas para a escola

Ou então: "faz-me um favor?"
"Preciso que vai ajudar"
"Levas-me a tal sítio?"
"Vens servir o jantar?"

Quem me dera ser imensa
Ou poder-me desdobrar
Para não ter que dizer não
E a todos ajudar

Prefiro não ter tempo
Até mesmo para respirar
Mas nunca dizer não
Ou pelo menos tentar

Se digo não fico triste
Mas também fico a pensar
Será que não há mais ninguém
Que me possa ajudar?

Natália Ferreira

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A Joaninha - Ana Luísa Amaral

Safira:
Ah! Essa menina dos óculos redondos é a Joaninha
Ninguém fala com ela no recreio.
Tem uma voz baixinha.
Que ouvida ao fundo da sala de aula de tão, tão, tão, baixinha um pouco soa.
E os outros meninos e outras meninas fazem pouco dela e põem-se a cantar:
Joaninha avoa, avoa!
E ela fica muitas vezes a chorar

Clara:
E eu também já me ri da Joaninha, porque tenho vergonha de não rir quando os outros meninos estão ao pé de mim

Safira:
Como se há de sentir a Joaninha?
Feche os olhos muito devagarinho e tente imaginar com ela
Gostavas de te ver assim tratado
Excluir é por de lado é assim como expulsar fingir que não se vê quem está ao nosso lado ou então rejeitar quem ali está de lado.

Clara:
Não era nada disso que eu queria fazer à Joaninha.

Safira:
Nós às vezes não queremos excluir mas por vergonha ou medo ou não saber é isso que se faz
Fecha os olhos muito devagarinho e tenta imaginar sentir com ela. Ser excluído nos faz sentir sozinhos, diferentes de diferentes.

Clara:
Sim porque diferentes somos todos.

Safira:
É isso exatamente mas ser posto de lado como a Joaninha!

Clara:
Já sei! Vou dizer ao Ricardo e à Mariana e amanhã de manhã vamos já convidá- la para brincar!

Safira:
Olha que ideia boa!
Assim a Joaninha avoa avoa pode mesmo avoar!


Parabéns  para a Clara Sampaio e para a Safira Pinto, orientadas pela professora Ana Paula Serra, vencedoras na modalidade de declamação, na 12.ª edição do concurso “Pequenos Grandes Poetas”, promovida pelo Município de Barcelos, através da Biblioteca Municipal e da Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares, no dia 4 de abril de 2025, no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Canção

Falsidade

Às vezes eu pergunto-me
Porque é que a vida é assim
Vive cheia de mentiras
Isso é difícil para mim.

Já estou farta de ouvir
As pessoas a alertar
Que tudo pode ser mentira
E que eu não deva acreditar.

Aquele tal sorriso
Pode ter outro significado
Aquela que te deu abraços
Pode nunca te ter amado.

Queria mudar o passado
E deixar tudo perfeito
Fazer coisas que não fiz
E deveria ter feito!

Antes que eu me esqueça
Eu conto-te toda a verdade
Espero que isto nunca te aconteça
Mas eu digo-te o que é a falsidade.

Alícia Moreira (5ºD)

Pensa duas vezes

Já reparaste no mundo lá fora?
O ser humano deixa tantos rastos na terra
Rastos desagradáveis
Precisamos fazer uma guerra!

Não é uma guerra em que pegamos
Numa bomba nuclear
Mas sim para todos nos unirmos
E os velhos tempos recordar...

Vamos dar as mãos!
E lançar o nosso poder
Para o mundo salvar
E conquistar o nosso querer!

Alícia Moreira
Maria Fernandes
Helena Oliveira